
APONTAMENTOS SOBRE O PLANO COLÔMBIA
O Plano Colômbia consiste em um tratado de cooperação político-militar, assinado entre EUA (Estados Unidos da América) e Colômbia. O argumento utilizado para justificar sua existência é a necessidade de se estabelecer uma política continental de ataque direto na produção e distribuição de narcóticos. Eis a Lei de Mercados de Say determinando até mesmo a política de combate às drogas, ou seja, o problema é de oferta de narcóticos, será que reconhecer a parcela de culpa do consumo nos levaria a conclusão de que existe um padrão patológico de consumo?
A matéria-prima para a fabricação da cocaína era importada da Bolívia e do Peru[1], porém, a concorrência internacional no agro-negócio, a falta de incentivo do governo para os pequenos agricultores, a terrível ausência de uma máquina estatal (infra-estrutura) para o escoamento da produção agrícola e a forte presença do latifúndio levaram os trabalhadores rurais da Colômbia a um nível alarmante de pobreza, e estes são obrigados a produzir a folha de coca produto que possui a maior rentabilidade e consumo garantido, enfim, a própria ausência do Estado colombiano levou o trabalhador rural a cometer a ilegalidade como única forma de manutenção da própria vida. Segundo James Willians, embaixador dos EUA na Colômbia, o Plano Colômbia é a resposta a este fato, uma estratégia desenhada por ambos governos para “combaterem o narcotráfico” em sua origem, a pobreza.
Supostamente o plano surgiria como uma alternativa econômica e cidadã para os produtores (povos da floresta ou trabalhadores do campo), e como uma forma de levar um projeto de desenvolvimento sustentável nas regiões que fazem parte da amazônia colombiana. William Bronsfield, hoje embaixador dos EUA na Venezuela, e na época estrategista do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América, e um dos arquitetos do Plano Colômbia, defende a sustentabilidade do plano através de uma espécie de bolsa para o agricultor que assume os compromissos do plano, mas segundo o Alcalde (Prefeito) Manuel Alzate Restrepo, de Puerto Assis, a ajuda é ínfima, e é inviável para o sustento de uma família, e não existe um plano real de cooperação agrícola, a bolsa oferecida pelo Estado alem de ser um paliativo pouco eficiente não garante o resgate do trabalhador rural ao status de Cidadão. Américo Incalcaterra, responsável do Alto comissionado de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), aponta que os trabalhadores rurais estão sem apoio nenhum, que o Plano Colômbia apenas os colocou no fogo cruzado. Pois vivem em locais onde o Estado não existe, de um lado as históricas guerrilhas, do outro para-militares de direita ou as bandas narcotraficantes, o único meio para sobreviver é o cultivo da folha de coca. Hoje o primeiro método utilizado como destruição da folha de coca é a fumigação de grandes áreas verdes. Porém, satélites mostram que tanto a produção de coca quanto as plantações aumentaram significativamente na Colômbia, segundo Jim Mcgovern (Congressista Democrata de Massachusets), até agora o único êxito real que o plano obteve foi o de melhorar a qualidade de vida do traficante, pois ocorreu inflação no mercado de coca.
Noam Chomsky, intelectual reconhecido internacionalmente, do MIT (Massachusets Institue of Technology), pergunta, que direito os EUA tem de estar na Colômbia? Pois, se utilizarmos a mesma argumentação e a lógica dos EUA, algum país que assumir a cruzada contra o tabaco teria o direito de estar fumigando no Kentucy ou em Carolina do norte, os maiores produtores de tabaco do mundo, e este por sua vez mata 25 vezes mais que a cocaína.
Theo Colborn, da WWF, destaca que o os EUA estão usando uma mistura de glifosato com outras substâncias para o fumigamento. Lembra de substâncias novas que não se sabe do efeito futuro, e destaca que algumas doenças nos humanos e em animais já são constatadas, e conseqüências desastrosas na biodiversidade da Amazônia. Ela lembra que existem semelhanças na cadeia química entre este produto e o agente laranja. Usado no Viet-Nam. Destaca que um dos graves problemas é altura do avião que faz a fumigação, para evitar ataque antiaéreo das florestas ele faz o fumigamento em alturas consideráveis, e quanto mais alto maior o escopo atingido. A conhecida Monsanto foi encarregada pelo governo dos EUA para desenvolver o desfoleante utilizado em Colômbia, e devido ao problema de escopo e a composição geo-morfológica da amazônia este problema ambiental atinge diretamente o Brasil, Equador, Peru e Venezuela, pois o produto chega em leito do rio amazonas e seus afluentes.
Hoje, 80% (oitenta por cento) do orçamento do Plano está destinado a fins militares. Luis Cruz, senador colombiano, alega que em nenhum momento o plano foi discutido no congresso.Um plano exclusivamente do executivo, com presença de conselheiros militares dos EUA, sendo que Colômbia é o terceiro país que recebe maior apoio logístico militar dos EUA, depois de Israel e Egito. Ou seja, não é um plano contra os narcóticos, mas um subsídio direto ao complexo militar industrial dos EUA. Sabemos que hoje os maiores beneficiários do plano são empresas de helicópteros militares: a Sikorsk e a Bell; sendo que grande parte dos contribuintes dos EUA não tem consciência de que é feito com o dinheiro de seu Estado.
Existe uma guerra civil a mais de 40 anos na Colômbia, após o assassinato do líder popular e democrático Elizier Gaitan, ocorreu um fato conhecido como bogotazo, a partir deste episódio iniciou-se uma guerra civil.
Hoje tanto os EUA como as oligarquias colombianas tentam estabelecer conexões entre a guerrilha e o narcotráfico. Ambos produtos do aumento da pobreza e da ausência de Estado, mas claramente organismos distintos, com práticas distintas e com uma história distinta.
Grande parte do petróleo consumido pelos EUA é fornecido pelo oriente médio, mas existe uma preocupação de logística neste fornecimento, e os EUA iniciou um plano de consolidar o consumo de petróleo nucleado nas Américas, tendo como parcerias consolidadas o México e a Venezuela, hoje o quarto maior fornecedor de petróleo para os EUA, é sabido das reservas de petróleo da Colômbia, e alguns especialistas apontam o Plano Colômbia como uma ingerência direta com o fim de dominar combustíveis fósseis da Colômbia e garantir o acesso a água da Bacia do Amazonas.
O Plano Colômbia consiste em um tratado de cooperação político-militar, assinado entre EUA (Estados Unidos da América) e Colômbia. O argumento utilizado para justificar sua existência é a necessidade de se estabelecer uma política continental de ataque direto na produção e distribuição de narcóticos. Eis a Lei de Mercados de Say determinando até mesmo a política de combate às drogas, ou seja, o problema é de oferta de narcóticos, será que reconhecer a parcela de culpa do consumo nos levaria a conclusão de que existe um padrão patológico de consumo?
A matéria-prima para a fabricação da cocaína era importada da Bolívia e do Peru[1], porém, a concorrência internacional no agro-negócio, a falta de incentivo do governo para os pequenos agricultores, a terrível ausência de uma máquina estatal (infra-estrutura) para o escoamento da produção agrícola e a forte presença do latifúndio levaram os trabalhadores rurais da Colômbia a um nível alarmante de pobreza, e estes são obrigados a produzir a folha de coca produto que possui a maior rentabilidade e consumo garantido, enfim, a própria ausência do Estado colombiano levou o trabalhador rural a cometer a ilegalidade como única forma de manutenção da própria vida. Segundo James Willians, embaixador dos EUA na Colômbia, o Plano Colômbia é a resposta a este fato, uma estratégia desenhada por ambos governos para “combaterem o narcotráfico” em sua origem, a pobreza.
Supostamente o plano surgiria como uma alternativa econômica e cidadã para os produtores (povos da floresta ou trabalhadores do campo), e como uma forma de levar um projeto de desenvolvimento sustentável nas regiões que fazem parte da amazônia colombiana. William Bronsfield, hoje embaixador dos EUA na Venezuela, e na época estrategista do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América, e um dos arquitetos do Plano Colômbia, defende a sustentabilidade do plano através de uma espécie de bolsa para o agricultor que assume os compromissos do plano, mas segundo o Alcalde (Prefeito) Manuel Alzate Restrepo, de Puerto Assis, a ajuda é ínfima, e é inviável para o sustento de uma família, e não existe um plano real de cooperação agrícola, a bolsa oferecida pelo Estado alem de ser um paliativo pouco eficiente não garante o resgate do trabalhador rural ao status de Cidadão. Américo Incalcaterra, responsável do Alto comissionado de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), aponta que os trabalhadores rurais estão sem apoio nenhum, que o Plano Colômbia apenas os colocou no fogo cruzado. Pois vivem em locais onde o Estado não existe, de um lado as históricas guerrilhas, do outro para-militares de direita ou as bandas narcotraficantes, o único meio para sobreviver é o cultivo da folha de coca. Hoje o primeiro método utilizado como destruição da folha de coca é a fumigação de grandes áreas verdes. Porém, satélites mostram que tanto a produção de coca quanto as plantações aumentaram significativamente na Colômbia, segundo Jim Mcgovern (Congressista Democrata de Massachusets), até agora o único êxito real que o plano obteve foi o de melhorar a qualidade de vida do traficante, pois ocorreu inflação no mercado de coca.
Noam Chomsky, intelectual reconhecido internacionalmente, do MIT (Massachusets Institue of Technology), pergunta, que direito os EUA tem de estar na Colômbia? Pois, se utilizarmos a mesma argumentação e a lógica dos EUA, algum país que assumir a cruzada contra o tabaco teria o direito de estar fumigando no Kentucy ou em Carolina do norte, os maiores produtores de tabaco do mundo, e este por sua vez mata 25 vezes mais que a cocaína.
Theo Colborn, da WWF, destaca que o os EUA estão usando uma mistura de glifosato com outras substâncias para o fumigamento. Lembra de substâncias novas que não se sabe do efeito futuro, e destaca que algumas doenças nos humanos e em animais já são constatadas, e conseqüências desastrosas na biodiversidade da Amazônia. Ela lembra que existem semelhanças na cadeia química entre este produto e o agente laranja. Usado no Viet-Nam. Destaca que um dos graves problemas é altura do avião que faz a fumigação, para evitar ataque antiaéreo das florestas ele faz o fumigamento em alturas consideráveis, e quanto mais alto maior o escopo atingido. A conhecida Monsanto foi encarregada pelo governo dos EUA para desenvolver o desfoleante utilizado em Colômbia, e devido ao problema de escopo e a composição geo-morfológica da amazônia este problema ambiental atinge diretamente o Brasil, Equador, Peru e Venezuela, pois o produto chega em leito do rio amazonas e seus afluentes.
Hoje, 80% (oitenta por cento) do orçamento do Plano está destinado a fins militares. Luis Cruz, senador colombiano, alega que em nenhum momento o plano foi discutido no congresso.Um plano exclusivamente do executivo, com presença de conselheiros militares dos EUA, sendo que Colômbia é o terceiro país que recebe maior apoio logístico militar dos EUA, depois de Israel e Egito. Ou seja, não é um plano contra os narcóticos, mas um subsídio direto ao complexo militar industrial dos EUA. Sabemos que hoje os maiores beneficiários do plano são empresas de helicópteros militares: a Sikorsk e a Bell; sendo que grande parte dos contribuintes dos EUA não tem consciência de que é feito com o dinheiro de seu Estado.
Existe uma guerra civil a mais de 40 anos na Colômbia, após o assassinato do líder popular e democrático Elizier Gaitan, ocorreu um fato conhecido como bogotazo, a partir deste episódio iniciou-se uma guerra civil.
Hoje tanto os EUA como as oligarquias colombianas tentam estabelecer conexões entre a guerrilha e o narcotráfico. Ambos produtos do aumento da pobreza e da ausência de Estado, mas claramente organismos distintos, com práticas distintas e com uma história distinta.
Grande parte do petróleo consumido pelos EUA é fornecido pelo oriente médio, mas existe uma preocupação de logística neste fornecimento, e os EUA iniciou um plano de consolidar o consumo de petróleo nucleado nas Américas, tendo como parcerias consolidadas o México e a Venezuela, hoje o quarto maior fornecedor de petróleo para os EUA, é sabido das reservas de petróleo da Colômbia, e alguns especialistas apontam o Plano Colômbia como uma ingerência direta com o fim de dominar combustíveis fósseis da Colômbia e garantir o acesso a água da Bacia do Amazonas.
[1] Devemos lembrar que o cultivo da folha de coca nestas regiões é uma tradição milenar do homem do campo, antes da construção da América Ibérica os povos de tradição Tiawuanaca e Inca já cultivavam a folha de Coca. Ou seja, o cultivo da folha de coca nestas regiões transcende a indústria capitalista do narcotráfico.

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